Porto Santo Sem Lixo Marinho

Porto Santo Sem Lixo Marinho

Porto Santo Sem Lixo Marinho

A 19 de setembro, Dia Internacional de Limpeza Costeira, teve lugar a primeira iniciativa do projeto, pioneiro em Portugal, Porto Santo Sem Lixo Marinho, que pretende contribuir para tornar Porto Santo numa ilha consciente em relação ao uso de plástico.

O projeto “Porto Santo Sem Lixo Marinho”, que arrancou em setembro, conta com um cofinanciamento atribuído pelo Programa Ambiente dos EEA Grants e reúne, como parceiros, a Associação Natureza Portugal, em colaboração  com a WWF, a AIDGLOBAL, a ARM – Águas e Resíduos da Madeira, S.A., a Câmara Municipal do Porto Santo e o polo do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente na Madeira, acolhido pela Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, tecnologia e Inovação (MARE-ARDITI) e conta, ainda, com o apoio da WWF Noruega e da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas do Governo Regional da Madeira. Em conjunto e de acordo com o desígnio do projeto, estes parceiros pretendem travar a fuga de plásticos para o oceano e, dessa forma, contribuir para a diferenciação e valorização da ilha do Porto Santo.

Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF, explicou que “A transição para uma economia circular e sustentável passa pela implementação de projetos como este, com um foco nas comunidades e que promovem a cooperação e troca de conhecimentos entre autoridades, empresas e sociedade civil, pois são elas que fazem a diferença no dia-a-dia. Para nós, ANP|WWF, este é um projeto muito importante, pois é o nosso primeiro fora do território continental e que vemos como pioneiro no nosso país pela relevância para a comunidade local, para quem visita a ilha, para a vida e saúde humana e para a Natureza.”

A primeira campanha de limpeza estendeu-se às zonas costeiras, às ribeiras e a outros espaços que contribuíram para a acumulação de lixo marinho. A iniciativa, promovida na plataforma da Fundação Oceano Azul, foi dirigida, em especial, às famílias, devido às contingências da situação de pandemia.

Ao longo de 18 meses, o projeto será desenvolvido em três fases. Na primeira, será feita uma avaliação do fluxo e descarga dos resíduos e lixo marinho da ilha, para, numa segunda fase, todos os agentes poderem proceder a uma otimização da gestão desses resíduos. Na terceira e última etapa do projeto, será feita uma campanha de comunicação e sensibilização que tem como objetivo reduzir radicalmente o consumo de descartáveis e, consequentemente, os plásticos que acabam no mar.

As características da ilha do Porto Santo, que foram reconhecidas na categoria de Reserva da Biosfera da UNESCO, são, agora, apresentadas como o cenário ideal para outras valorizações da região. O projeto pretende testar mecanismos inovadores de recolha e valorização dos resíduos de plástico com o envolvimento de todas as partes interessadas. Algumas ações vão desde pontuais limpezas de praia, passando por criar um selo de compromisso com entidades locais, colocar em prática um sistema de recolha de garrafas e, ainda, uma App que ajude a identificar pontos críticos de poluição por plásticos.

Com uma população residente superior a 5000 habitantes, esta é uma ilha atlântica de eleição para a classe turística que chega a atingir à volta das 500 000 dormidas anuais, nas estações mais quentes. A quantidade de lixo, essencialmente plástico, acumulado na região estima-se alta e é urgente fazer um levantamento concreto e preciso desses dados, os quais, posteriormente, serão trabalhados e usados de forma mais operacional para otimizar a gestão dos resíduos, na ilha, através de um Plano de Gestão Comunitário.

Para Susana Damasceno, Presidente da Direção da AIDGLOBAL, “fazer parte deste projeto é contribuir para o desenvolvimento local e global. Proteger a vida marinha (ODS 14) é mais um passo no longo caminho de ação e sensibilização que temos percorrido, sendo que o projeto tem um valor especial, pois se realiza na ilha, onde, desde há dois anos, estabelecemos uma delegação.”

Para João Canning Clode, do MARE-ARDITI, “o projeto dará, com certeza, um empurrão ao muito necessário conhecimento científico acerca da problemática do lixo marinho, nomeadamente tentando perceber qual é a verdadeira magnitude do problema, no Porto Santo”.

Para Amílcar Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da ARM, “esta iniciativa, em colaboração com as diversas entidades envolvidas, será, sem dúvida, um grande passo para a promoção e melhoria da qualidade ambiental e de vida do Porto Santo, mais concretamente quanto à gestão dos resíduos da ilha e o seu correto encaminhamento para tratamento e/ou destino final adequados.”

Para Idalino Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal do Porto Santo “esta Câmara Municipal tem definido, no âmbito da sua missão, políticas que promovam o desenvolvimento sustentável, executando medidas concretas que visam a melhoria da qualidade de vida das suas populações, numa estratégia conseguida através do estabelecimento de diversas parcerias que a fortalecem e levam mais longe.”