“Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada”

“Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada”

Celeste teve em si todos os sonhos do mundo…

o primeiro dia deste mês de agosto, deixou-nos Celeste Rodrigues, a inesquecível Senhora do fado, cujo lema era tão-somente viver a vida na sua plenitude.

Mulher de família, cantadeira consagrada, figura tutelar do fado tradicional, nunca quis ser vedeta e nem o imenso mediatismo de Amália a ensombrou ou impediu de fazer, tímida e recatadamente, o seu caminho e de contar com o reconhecimento do público, nacional e internacional, perante o seu talento e forma impar de cantar o fado, tendo atuado, até há um mês, com 95 anos, numa conceituada Casa de Fados da cidade.

Mas Celeste Rodrigues foi, também, apoiante e presença solidária em causas sociais.

“O Fado Acontece” tem vindo a constituir, desde os primórdios da fundação da AIDGLOBAL, o espetáculo anual solidário de celebração e meio privilegiado de angariação de fundos para os projetos sociais que a Organização tem vindo a apoiar. Celeste Rodrigues foi presença indeclinável desde a primeira gala, em 2007, tendo dado, sempre, o melhor de si e fazendo os outros felizes como era seu apanágio.

“Cheguei ao fim /Mas se alguém gosta de mim/ Algo de mim sobrevive” preconizava Celeste Rodrigues num dos seus fados mais emblemáticos — “Faz-me pena” — da autoria de Amália. Esse será, sim, o seu destino indeclinável, porque Celeste Rodrigues teve em si todos os sonhos do mundo. Ela estará, sempre, ali, para além da curva da estrada…