Entre os dias 17 e 26 de julho, a Casa Mãe do Gradil, em Mafra, acolheu o Laboratório de Ativismo e Ação Comunitária, um campo residencial que reuniu 14 jovens dos 15 aos 25 anos em torno da justiça social, climática e de género, com o ecofeminismo como fio condutor do programa.
Ao longo de 10 dias, as/os participantes exploraram, através de
workshops, palestras, visitas e artivismo, a interseccionalidade entre a crise climática e as desigualdades de género e tiveram oportunidade de participar numa multiplicidade de atividades, nomeadamente workshops sobre ecofeminismo, ativismo e ação comunitária, comunicação para causas sociais, direitos humanos, empreendedorismo feminino, movimentos sociais e
storytelling, além de um
workshop de cozinha vegetariana. O programa reservou, também, momentos ao ar livre e de partilha, nomeadamente uma caminhada para conhecer os gigantes verdes, uma aula de
surf, uma oficina de narrativas criativas sobre as alterações climáticas em Portugal e atividades de artivismo com um olhar ecofeminista.
No âmbito do trabalho coletivo desenvolvido ao longo do Laboratório, as/os jovens participantes elaboraram um manifesto, apresentado no dia 24 de julho à Dra. Filipa Mesquita, Chefe da Divisão de Juventude da Câmara Municipal de Loures, e a representantes de duas Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD), José Luís Monteiro, da Oikos, e Catarina António, da FEC.
Lara, de 17 anos, de Évora, foi uma das jovens participantes. No final dos dez dias, a jovem salientou que a experiência a fez perceber que as alterações climáticas são um tema muito mais importante do que imaginava e que precisa de ser mais debatido. Para Lara, uma das aprendizagens foi perceber que a crise climática não é uma questão do futuro, mas sim do presente. Ainda assim, defende que o otimismo é fundamental e que
"as vozes dos jovens precisam de ser mais ouvidas".
Sara Daniel, fundadora do
“Poema Instante” e dinamizadora do workshop
“A Revolução do Cuidado”, sublinhou a importância de criar espaços como este, salientando que
"Num tempo marcado por profundas crises sociais, ambientais e democráticas, nunca foi tão urgente criar espaços onde os jovens possam fortalecer o seu sentido de comunidade e encontrar formas de participar ativamente na construção do mundo que habitam. O futuro depende desse envolvimento e participação."
O Laboratório constituiu, assim, um espaço de aprendizagem, partilha e capacitação, dotando as/os jovens participantes de ferramentas e competências para conceberem e implementarem ações concretas nas suas comunidades, reforçando, numa perspetiva ecofeminista, o seu papel enquanto agentes de mudança para um futuro mais justo, sustentável e inclusivo.
Esta iniciativa foi promovida, em sinergia, com três projetos — o "Ecoality: Jovens e Autoridades Locais juntos pela Justiça Climática e de Género", implementado pela AIDGLOBAL em parceria com a Câmara Municipal de Loures e cofinanciado pela União Europeia e pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., o "Jovens 2030. Mobilizar para Agir", empreendido, em Portugal, pelo IMVF — Instituto Marquês de Valle Flôr, e, igualmente, cofinanciado pela União Europeia e pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e o "HUMAN — A Tua Voz, a Tua Ação", uma iniciativa do Clube de Lisboa, do IMVF e da Câmara Municipal de Oeiras, cofinanciado pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua , I.P.