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Campo de Trabalho Internacional pela Justiça Climática e de Género leva jovens a Moçambique

Jovens de Portugal, Polónia, Croácia, Hungria e Finlândia uniram-se a jovens moçambicanos, autoridades e organizações locais para um Campo Internacional, em Moçambique, com o objetivo de promover a Justiça Climática e de Género. A iniciativa, realizada no âmbito do projeto “Ecoality: Jovens e Autoridades Locais Juntos pela Justiça Climática e de Género”, levou o grupo a Maputo, Chibuto, Macaneta e Manhiça, num programa intenso de partilha, aprendizagem e ação conjunta.

Durante a experiência, as/os participantes aprofundaram temas como a Justiça Climática e a Justiça de Género, através de atividades conjuntas com estudantes, autoridades locais, organizações da sociedade civil e representantes diplomáticos. A iniciativa visou mobilizar a juventude a comprometer-se com desafios globais, conhecer projetos ecofeministas, reforçar a cooperação com as autoridades locais e incentivar a criação de campanhas e projetos futuros nos seus países de origem.

O primeiro momento da iniciativa teve lugar em Portugal, no dia 22 de agosto, onde se reuniram as/os participantes no Centro de Juventude de Lisboa do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) para um primeiro dia de formação e teambuilding, antes de seguir viagem para Moçambique, onde decorreu a fase central do Campo Internacional, entre 23 de agosto e 5 de setembro de 2026.

Ao longo de duas semanas, o grupo percorreu diferentes cidades e comunidades moçambicanas, combinando encontros institucionais, ações comunitárias e momentos de reflexão coletiva. A jornada teve início em Chibuto, onde, a 25 de agosto, o programa arrancou com uma mesa-redonda “Jovens moçambicanos e europeus juntos pela agenda climática e de género”, com cerca de vinte estudantes da Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto (ESNEC) - Universidade Eduardo Mondlane, dedicada à partilha de experiências e dinâmicas ecofeministas.

Seguiu-se, no dia seguinte, uma mesa-redonda com alunas/os do ensino secundário, provenientes de seis escolas secundárias do distrito do Chibuto, num total de dezoito participantes entre professoras/es e alunas/os, aos quais foram dinamizadas sessões sobre questões de género e alterações climáticas.

O dia 27 de agosto foi dedicado às Escolinhas Comunitárias, escolas onde se promove diariamente a Educação de Infância Itinerante, ao ar livre, com base na aprendizagem pela Natureza. Nesse dia, as/os jovens, divididos em dois grupos, desenvolveram atividades, nomeadamente a dinamização da leitura do livro "O Principezinho" com as crianças das Escolinhas Comunitárias do Bairro 25 de Junho, unidades 2 e 4. À tarde, decorreu a mesa-redonda "Mulheres na Política no Chibuto: desafios e oportunidades das questões de género no poder local", com representantes do governo distrital e líderes comunitárias, num momento de reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na região.

Já a 28 de agosto, o dia foi dedicado aos trabalhos de organização da Biblioteca Municipal do Chibuto, que se encontrava fechada, com as/os jovens a ajudarem a organizar e a catalogar os livros, num trabalho preparatório para a futura reabertura do espaço.

No dia 30, o grupo partiu para Macaneta, onde passou o dia com a associação REPENSAR, conhecendo o seu trabalho junto da comunidade. A visita incluiu ainda uma saída de campo aos ecossistemas costeiros de Macaneta, nomeadamente praia, dunas, floresta de mangal e estuário, e uma ação de recolha de lixo na praia, sensibilizando para os desafios ambientais da região.

Seguiu-se, a 31 de agosto, uma deslocação à Manhiça, onde o grupo visitou um centro de acolhimento a vítimas de violência doméstica. Ali foi recebido pela MULEIDE e pela comunidade local, tendo reunido também com ativistas de direitos das mulheres.

De regresso a Maputo, o dia 1 de setembro ficou marcado, de manhã, por uma mesa-redonda, que teve lugar no Camões - Centro Cultural Português em Maputo e que contou com representantes da Cooperação Portuguesa, nomeadamente a Dra. Helena Guerreiro e Dra. Raquel Oliveira, que apresentaram o trabalho que a Cooperação Portuguesa desenvolve em Moçambique. Ainda neste encontro marcou presença o colaborador da equipa da ONU Mulheres em Moçambique, Fernando Cau, que apresentou os desafios que as mulheres enfrentam no país.

À tarde, teve lugar uma sessão com a ONU-Habitat sobre construções resilientes, na qual se partilhou a importância deste tipo de construções e o papel das mulheres no erguer das suas próprias habitações.

No dia 2 de setembro, o grupo reuniu com a Girl Move Academy, para conhecer o seu projeto de empoderamento de jovens mulheres, e teve, à tarde, um encontro com o projeto Be Girl, dedicado à dignidade menstrual e à educação, onde se discutiu o tema da pobreza menstrual.

O programa encerrou, a 3 de setembro, com um workshop de ilustração com o artista Ventura Mulalene, como atividade de conclusão do Campo Internacional, dedicado à reflexão sobre a semana vivida e sobre as emoções dos participantes.

O Campo Internacional não se limitou a uma experiência de partilha e formação entre um grupo de jovens de diversas nacionalidades: proporcionou-lhes também uma imersão cultural e social profunda na realidade moçambicana, através do contacto direto com comunidades, instituições e projetos locais que trabalham pela justiça climática e de género.

Esta atividade integra-se no projeto "Ecoality: Jovens e Autoridades Locais Juntos pela Justiça Climática e de Género", implementado, em Portugal, pela AIDGLOBAL em parceria com a Câmara Municipal de Loures e cofinanciado pela União Europeia e pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
 
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